Como ter disciplina financeira em tempos difíceis

O endividamento e a inadimplência aumentaram no Brasil. De acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em junho, 69,7% das famílias possuem dívidas.

Esse é o maior percentual verificado pelo estudo desde 2010. Entre os endividados, 25,1% informaram que estão inadimplentes. O cenário é reflexo da crise econômica vivida pelo país.

Com o aumento do desemprego e da inflação, houve redução da renda das famílias que, muitas vezes, não possuem reserva de emergência para os momentos de dificuldade financeira. Assim, a alternativa mais comum costuma ser a tomada de crédito. 

No entanto, o que se apresenta como uma solução inicial pode tornar-se um grande problema e levar ao desequilíbrio financeiro. Segundo a CNC, 10,8% das famílias entrevistadas afirmaram não ter condições de quitar as dívidas em aberto e, portanto, ficarão ou permanecerão inadimplentes.

Entre as famílias endividadas, 81,8% estão comprometidas com o cartão de crédito; 17,5% com carnês de loja; 11,9% com financiamento do carro; 10% com crédito pessoal; e 9,1% com as parcelas do imóvel. 

A situação alerta para a importância da educação financeira, que também consiste no planejamento para momentos de dificuldade econômica que exijam recursos imediatos, como a perda do emprego, um problema de saúde, entre outras situações emergenciais. 

Como criar uma reserva de emergência

Ter uma reserva de emergência é fundamental para evitar o endividamento em momentos de crise e garantir menos um problema quando as coisas já não estão fáceis. O ideal é que esse recurso corresponda a, pelo menos, três meses dos custos fixos mensais.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro (Anbima) alerta que, dependendo da situação financeira, criar essa reserva pode levar tempo, mas é preciso começar o quanto antes e, principalmente, ter paciência.

A primeira orientação é identificar esta situação, considerando os seguintes status do indivíduo: inadimplente; endividado; sem contas em aberto, mas sem dinheiro poupado; sem dívidas e com dinheiro guardado.

Aqueles que já têm algum recurso economizado podem iniciar a reserva financeira de imediato. Para isso, a orientação da Anbima é investir para fazer esse valor render. É recomendado que o dinheiro seja alocado em investimentos em renda fixa.  

Mas além do rendimento, é preciso observar a liquidez, que significa a facilidade de resgatar o valor em espécie. Como a reserva é criada com o intuito de ser utilizada em emergências, o acesso ao dinheiro deve ser fácil. 

O Tesouro Direto Selic, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) com liquidez diária e a Letra de Crédito Imobiliário estão entre as melhores alternativas para quem deseja iniciar a reserva de emergência. Só após ter esse montante para segurança financeira é que se deve investir em renda variável, pois embora os rendimentos sejam maiores, essa modalidade traz riscos.

Orientação para quem não tem dinheiro economizado

Se após o diagnóstico da situação financeira for observado que ainda não é possível criar a reserva de emergência, será preciso um trabalho de organização e de disciplina. Para isso, deve-se verificar os tipos de despesa e classificá-las entre necessárias e supérfluas.

A partir de então, a Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) orienta cortar o que for supérfluo e tentar reduzir, ao máximo, as despesas fixas.

Algumas dicas são economizar água, luz e telefone no dia a dia. Aproveitar promoções, substituir marcas e fazer pesquisas de preço ajudam a diminuir os custos com supermercado. Pagar as contas em dia, e se possível à vista, pode garantir descontos e incentivos.

Com o dinheiro poupado, quem já está com as contas em dia pode começar a investir. Os endividados poderão quitar os débitos, manter essa rotina e, posteriormente, criar a reserva de emergência. 

De acordo com a Abefin, aqueles que estão inadimplentes também devem usar o dinheiro poupado para pagar as dívidas. No entanto, é válido tentar a renegociação com os credores para facilitar o pagamento. Caso não seja possível quitar tudo de uma vez, deve-se priorizar o pagamento de dívidas que têm juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial.

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